Casca perdida, casca nova,
tartaruga arrependida dos séculos de escuridão,
porei fechos em cada porta,
porei saídas em fecho,
jamais porei os pés
onde nunca os pus,
caso aconteça de a casa cair
sobre o jardim de delícias.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
terça-feira, 9 de outubro de 2007
SOLIDÃO
Solidão é abrir a janela e pegar rabeira na estrela bela
E sair voando até onde e quando o sono deixá-lo dormir...
Acordar e sair e não ter acordado e nem ter saído
E ficar como que partido movendo-se sem ter ido...
Beber e não matar a sede de nenhum de seus súditos
E sentir-se inteligente sem saber quem é o estúpido...
Solidão é rodar o sarilho do poço que guarda milhões de diamantes
E não alcançar um único brilho que devora o escuro do instante...
Criar e recriar e depois de observar o que recriado da cria se criou
Ver-se posto diante do futuro e não alcançá-lo por ter as mãos do seu avô...
Solidão é erguer um brinde e rir com um a um dos seus inúmeros convidados
E ao abrir os olhos é reparar que se está só por não ter sido por nenhum reparado.
E sair voando até onde e quando o sono deixá-lo dormir...
Acordar e sair e não ter acordado e nem ter saído
E ficar como que partido movendo-se sem ter ido...
Beber e não matar a sede de nenhum de seus súditos
E sentir-se inteligente sem saber quem é o estúpido...
Solidão é rodar o sarilho do poço que guarda milhões de diamantes
E não alcançar um único brilho que devora o escuro do instante...
Criar e recriar e depois de observar o que recriado da cria se criou
Ver-se posto diante do futuro e não alcançá-lo por ter as mãos do seu avô...
Solidão é erguer um brinde e rir com um a um dos seus inúmeros convidados
E ao abrir os olhos é reparar que se está só por não ter sido por nenhum reparado.
UIVO
Uivo porque a boca não cessa o dor que processa
Os orgãos em eterna carnal sinfonia que não cessa...
Uivo porque não presta calar enquanto houver
No mar um só pirata surfando pranchas de poliéster...
Uivo aos loucos que gritam poemas cheios de razão
Por detrás dos muros de cada louco coração....
Uivo porque nada faço nas noites de agonia cósmica
Já que tenho a alma cozida e purificada em força ósmica...
Uivo porque carruagens atravessam a paisagem dos nervos
E luto entre cortesãs do diabo que mordem-me os dedos...
Uivo porque na festa de pó de estrelas e rotas impensáveis
Surgem matemáticas plenas de caminhos certamente inviáveis...
Uivo porque sou completo na totalidade que o homem ganha
Quando à este mundo vem trazendo sua longínqua alma estranha...
Uivo porque sei dos cabelos e das rochas e das cebolas e dos ancinhos
E nada sei das chapinhas e dos promontórios e de chorar e de torvelinhos...
Uivo porque uivar é como nadar sem água e chorar sem nenhuma mágoa
E crer que não crer em nada será como crer que crer é não crer crendo em nada.
Os orgãos em eterna carnal sinfonia que não cessa...
Uivo porque não presta calar enquanto houver
No mar um só pirata surfando pranchas de poliéster...
Uivo aos loucos que gritam poemas cheios de razão
Por detrás dos muros de cada louco coração....
Uivo porque nada faço nas noites de agonia cósmica
Já que tenho a alma cozida e purificada em força ósmica...
Uivo porque carruagens atravessam a paisagem dos nervos
E luto entre cortesãs do diabo que mordem-me os dedos...
Uivo porque na festa de pó de estrelas e rotas impensáveis
Surgem matemáticas plenas de caminhos certamente inviáveis...
Uivo porque sou completo na totalidade que o homem ganha
Quando à este mundo vem trazendo sua longínqua alma estranha...
Uivo porque sei dos cabelos e das rochas e das cebolas e dos ancinhos
E nada sei das chapinhas e dos promontórios e de chorar e de torvelinhos...
Uivo porque uivar é como nadar sem água e chorar sem nenhuma mágoa
E crer que não crer em nada será como crer que crer é não crer crendo em nada.
NEGRO NAVIO
Meu coração é um outro navio negreiro
A traficar emoções vazias e sem sentido
Trocadas com aquela que primeiro
Encostar em mim seu umbigo...
Farto de diplomacia e quimeras e farsas
Crio enigmas que fecundem novas idéias
Enquanto abato umas tantas garças
Para comê-las sem prosopopéias....
Digo que meu coração é um odre de tantas viagens
E que nele levo vinho encetado em videira perfumada
E me embriago para tomar-me em nova coragem
Que ao fim me leva e de lá ao começo do nada...
Escravizo sensações como grafador de papiros
Aumentando o prazer de levar-me à tantos portos
Que desembarco como se fosse um conta-giros
De um cemitério marinho salgando seu mortos...
Digo que correntes tenho e que nenhuma delas é vã
Pois se me servem de companhia em noites de medo
Absolvem minh'alma humana que digo não é mais sã
Em viagem infinita até o Hades nesse navio negro.
A traficar emoções vazias e sem sentido
Trocadas com aquela que primeiro
Encostar em mim seu umbigo...
Farto de diplomacia e quimeras e farsas
Crio enigmas que fecundem novas idéias
Enquanto abato umas tantas garças
Para comê-las sem prosopopéias....
Digo que meu coração é um odre de tantas viagens
E que nele levo vinho encetado em videira perfumada
E me embriago para tomar-me em nova coragem
Que ao fim me leva e de lá ao começo do nada...
Escravizo sensações como grafador de papiros
Aumentando o prazer de levar-me à tantos portos
Que desembarco como se fosse um conta-giros
De um cemitério marinho salgando seu mortos...
Digo que correntes tenho e que nenhuma delas é vã
Pois se me servem de companhia em noites de medo
Absolvem minh'alma humana que digo não é mais sã
Em viagem infinita até o Hades nesse navio negro.
PULSO
O pulso de uma rã
Sã
Salta prá lá de vã
Medida temperatura
Pois conhece ela
O baixo e a altura
Do homem.
O pulso de um gato
Difere pela leveza
De cada ato
Que comete calmamente
Diferentemente
Do irmão felino da selva
Que muito pouco preza
Os salamaleques
Do homem.
O pulso do homem
Pulsa de acordo com o que come
E de acordo com os acordos
Que faz enquanto não dorme
Pulsa e usa a pulsação
Para controlar o coração
De quem já comeu
Ou comerá
Com ou sem fome.
Sã
Salta prá lá de vã
Medida temperatura
Pois conhece ela
O baixo e a altura
Do homem.
O pulso de um gato
Difere pela leveza
De cada ato
Que comete calmamente
Diferentemente
Do irmão felino da selva
Que muito pouco preza
Os salamaleques
Do homem.
O pulso do homem
Pulsa de acordo com o que come
E de acordo com os acordos
Que faz enquanto não dorme
Pulsa e usa a pulsação
Para controlar o coração
De quem já comeu
Ou comerá
Com ou sem fome.
DE JOELHOS
Se dobra se chega à cidade um homem que tudo domina
Se vale de tremedeira se chega ao porto a mulher que tudo ensina
Se finge reto se parado espera o devedor que lhe fugiu semana passada
Dobra que dobra se corre atrás do dito cujo que não vai lhe pagar nada
De mole em mole se ajeita o que pode quando vê a beleza que cruza a rua
Bambeia de tremer ossada inteira se a tal dona se lhe mostra toda nua
Valha-me Deus! e se ajoelha numa dobração de pedir que lhe tirem os pecados
Urge que não lhe falhe o joelho se o marido da tal fulana voltar antes do mercado
Tirita de dar dó se lhe falta coragem de encostar barriga na mesa e pedir um aumento
Chega a doer essas tal rótulas se o dono do seu emprego nem lhe ouvir o argumento
E juntinhos ficam quando o padre joga-lhe água e tenta mandá-lo lá para o céu
Mesmo sabendo que aqui na Terra não cumpriu à risca o seu papel.
Se vale de tremedeira se chega ao porto a mulher que tudo ensina
Se finge reto se parado espera o devedor que lhe fugiu semana passada
Dobra que dobra se corre atrás do dito cujo que não vai lhe pagar nada
De mole em mole se ajeita o que pode quando vê a beleza que cruza a rua
Bambeia de tremer ossada inteira se a tal dona se lhe mostra toda nua
Valha-me Deus! e se ajoelha numa dobração de pedir que lhe tirem os pecados
Urge que não lhe falhe o joelho se o marido da tal fulana voltar antes do mercado
Tirita de dar dó se lhe falta coragem de encostar barriga na mesa e pedir um aumento
Chega a doer essas tal rótulas se o dono do seu emprego nem lhe ouvir o argumento
E juntinhos ficam quando o padre joga-lhe água e tenta mandá-lo lá para o céu
Mesmo sabendo que aqui na Terra não cumpriu à risca o seu papel.
A CARNE
Você vai ao mercado e compra carne de gado
E te vendem o traseiro do gato e você arremata
Pensando que é capim doce lanhado
E chega em casa com aquilo debaixo do braço
E tua mulher pensa que é um pato
Se esgoelando porque vai para o prato
E só assim você percebe que só assim entende
Que o que tem debaixo do sovaco
É corpo de gente.
Mesmo assim joga na panela o bicho e sua moela
Que grita que tem muitas vidas e essa é uma delas
E tenta e pula e sacode e se tosta e se murcha
E se agarra e repara que a janela no beiral
Dá para a venda onde foi colocado no varal
E escapa e pula e mata e cata o dono da mercearia
E o leva lá pra beira da engordurada pia
E o enfia na panela e o deixa com as pernas de fora
E ele grita e implora e você simplesmente diz -Ora!-
E ele geme que não é gado e nem gato e nem capim
E você diz -Ora!- deixe homem de ser tão infeliz assim
Pois se comido vou ser um dia enquanto soa a melodia
Comido vai ser você agora - hoje chegou o seu dia!
E te vendem o traseiro do gato e você arremata
Pensando que é capim doce lanhado
E chega em casa com aquilo debaixo do braço
E tua mulher pensa que é um pato
Se esgoelando porque vai para o prato
E só assim você percebe que só assim entende
Que o que tem debaixo do sovaco
É corpo de gente.
Mesmo assim joga na panela o bicho e sua moela
Que grita que tem muitas vidas e essa é uma delas
E tenta e pula e sacode e se tosta e se murcha
E se agarra e repara que a janela no beiral
Dá para a venda onde foi colocado no varal
E escapa e pula e mata e cata o dono da mercearia
E o leva lá pra beira da engordurada pia
E o enfia na panela e o deixa com as pernas de fora
E ele grita e implora e você simplesmente diz -Ora!-
E ele geme que não é gado e nem gato e nem capim
E você diz -Ora!- deixe homem de ser tão infeliz assim
Pois se comido vou ser um dia enquanto soa a melodia
Comido vai ser você agora - hoje chegou o seu dia!
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