Solidão é abrir a janela e pegar rabeira na estrela bela
E sair voando até onde e quando o sono deixá-lo dormir...
Acordar e sair e não ter acordado e nem ter saído
E ficar como que partido movendo-se sem ter ido...
Beber e não matar a sede de nenhum de seus súditos
E sentir-se inteligente sem saber quem é o estúpido...
Solidão é rodar o sarilho do poço que guarda milhões de diamantes
E não alcançar um único brilho que devora o escuro do instante...
Criar e recriar e depois de observar o que recriado da cria se criou
Ver-se posto diante do futuro e não alcançá-lo por ter as mãos do seu avô...
Solidão é erguer um brinde e rir com um a um dos seus inúmeros convidados
E ao abrir os olhos é reparar que se está só por não ter sido por nenhum reparado.
terça-feira, 9 de outubro de 2007
UIVO
Uivo porque a boca não cessa o dor que processa
Os orgãos em eterna carnal sinfonia que não cessa...
Uivo porque não presta calar enquanto houver
No mar um só pirata surfando pranchas de poliéster...
Uivo aos loucos que gritam poemas cheios de razão
Por detrás dos muros de cada louco coração....
Uivo porque nada faço nas noites de agonia cósmica
Já que tenho a alma cozida e purificada em força ósmica...
Uivo porque carruagens atravessam a paisagem dos nervos
E luto entre cortesãs do diabo que mordem-me os dedos...
Uivo porque na festa de pó de estrelas e rotas impensáveis
Surgem matemáticas plenas de caminhos certamente inviáveis...
Uivo porque sou completo na totalidade que o homem ganha
Quando à este mundo vem trazendo sua longínqua alma estranha...
Uivo porque sei dos cabelos e das rochas e das cebolas e dos ancinhos
E nada sei das chapinhas e dos promontórios e de chorar e de torvelinhos...
Uivo porque uivar é como nadar sem água e chorar sem nenhuma mágoa
E crer que não crer em nada será como crer que crer é não crer crendo em nada.
Os orgãos em eterna carnal sinfonia que não cessa...
Uivo porque não presta calar enquanto houver
No mar um só pirata surfando pranchas de poliéster...
Uivo aos loucos que gritam poemas cheios de razão
Por detrás dos muros de cada louco coração....
Uivo porque nada faço nas noites de agonia cósmica
Já que tenho a alma cozida e purificada em força ósmica...
Uivo porque carruagens atravessam a paisagem dos nervos
E luto entre cortesãs do diabo que mordem-me os dedos...
Uivo porque na festa de pó de estrelas e rotas impensáveis
Surgem matemáticas plenas de caminhos certamente inviáveis...
Uivo porque sou completo na totalidade que o homem ganha
Quando à este mundo vem trazendo sua longínqua alma estranha...
Uivo porque sei dos cabelos e das rochas e das cebolas e dos ancinhos
E nada sei das chapinhas e dos promontórios e de chorar e de torvelinhos...
Uivo porque uivar é como nadar sem água e chorar sem nenhuma mágoa
E crer que não crer em nada será como crer que crer é não crer crendo em nada.
NEGRO NAVIO
Meu coração é um outro navio negreiro
A traficar emoções vazias e sem sentido
Trocadas com aquela que primeiro
Encostar em mim seu umbigo...
Farto de diplomacia e quimeras e farsas
Crio enigmas que fecundem novas idéias
Enquanto abato umas tantas garças
Para comê-las sem prosopopéias....
Digo que meu coração é um odre de tantas viagens
E que nele levo vinho encetado em videira perfumada
E me embriago para tomar-me em nova coragem
Que ao fim me leva e de lá ao começo do nada...
Escravizo sensações como grafador de papiros
Aumentando o prazer de levar-me à tantos portos
Que desembarco como se fosse um conta-giros
De um cemitério marinho salgando seu mortos...
Digo que correntes tenho e que nenhuma delas é vã
Pois se me servem de companhia em noites de medo
Absolvem minh'alma humana que digo não é mais sã
Em viagem infinita até o Hades nesse navio negro.
A traficar emoções vazias e sem sentido
Trocadas com aquela que primeiro
Encostar em mim seu umbigo...
Farto de diplomacia e quimeras e farsas
Crio enigmas que fecundem novas idéias
Enquanto abato umas tantas garças
Para comê-las sem prosopopéias....
Digo que meu coração é um odre de tantas viagens
E que nele levo vinho encetado em videira perfumada
E me embriago para tomar-me em nova coragem
Que ao fim me leva e de lá ao começo do nada...
Escravizo sensações como grafador de papiros
Aumentando o prazer de levar-me à tantos portos
Que desembarco como se fosse um conta-giros
De um cemitério marinho salgando seu mortos...
Digo que correntes tenho e que nenhuma delas é vã
Pois se me servem de companhia em noites de medo
Absolvem minh'alma humana que digo não é mais sã
Em viagem infinita até o Hades nesse navio negro.
PULSO
O pulso de uma rã
Sã
Salta prá lá de vã
Medida temperatura
Pois conhece ela
O baixo e a altura
Do homem.
O pulso de um gato
Difere pela leveza
De cada ato
Que comete calmamente
Diferentemente
Do irmão felino da selva
Que muito pouco preza
Os salamaleques
Do homem.
O pulso do homem
Pulsa de acordo com o que come
E de acordo com os acordos
Que faz enquanto não dorme
Pulsa e usa a pulsação
Para controlar o coração
De quem já comeu
Ou comerá
Com ou sem fome.
Sã
Salta prá lá de vã
Medida temperatura
Pois conhece ela
O baixo e a altura
Do homem.
O pulso de um gato
Difere pela leveza
De cada ato
Que comete calmamente
Diferentemente
Do irmão felino da selva
Que muito pouco preza
Os salamaleques
Do homem.
O pulso do homem
Pulsa de acordo com o que come
E de acordo com os acordos
Que faz enquanto não dorme
Pulsa e usa a pulsação
Para controlar o coração
De quem já comeu
Ou comerá
Com ou sem fome.
DE JOELHOS
Se dobra se chega à cidade um homem que tudo domina
Se vale de tremedeira se chega ao porto a mulher que tudo ensina
Se finge reto se parado espera o devedor que lhe fugiu semana passada
Dobra que dobra se corre atrás do dito cujo que não vai lhe pagar nada
De mole em mole se ajeita o que pode quando vê a beleza que cruza a rua
Bambeia de tremer ossada inteira se a tal dona se lhe mostra toda nua
Valha-me Deus! e se ajoelha numa dobração de pedir que lhe tirem os pecados
Urge que não lhe falhe o joelho se o marido da tal fulana voltar antes do mercado
Tirita de dar dó se lhe falta coragem de encostar barriga na mesa e pedir um aumento
Chega a doer essas tal rótulas se o dono do seu emprego nem lhe ouvir o argumento
E juntinhos ficam quando o padre joga-lhe água e tenta mandá-lo lá para o céu
Mesmo sabendo que aqui na Terra não cumpriu à risca o seu papel.
Se vale de tremedeira se chega ao porto a mulher que tudo ensina
Se finge reto se parado espera o devedor que lhe fugiu semana passada
Dobra que dobra se corre atrás do dito cujo que não vai lhe pagar nada
De mole em mole se ajeita o que pode quando vê a beleza que cruza a rua
Bambeia de tremer ossada inteira se a tal dona se lhe mostra toda nua
Valha-me Deus! e se ajoelha numa dobração de pedir que lhe tirem os pecados
Urge que não lhe falhe o joelho se o marido da tal fulana voltar antes do mercado
Tirita de dar dó se lhe falta coragem de encostar barriga na mesa e pedir um aumento
Chega a doer essas tal rótulas se o dono do seu emprego nem lhe ouvir o argumento
E juntinhos ficam quando o padre joga-lhe água e tenta mandá-lo lá para o céu
Mesmo sabendo que aqui na Terra não cumpriu à risca o seu papel.
A CARNE
Você vai ao mercado e compra carne de gado
E te vendem o traseiro do gato e você arremata
Pensando que é capim doce lanhado
E chega em casa com aquilo debaixo do braço
E tua mulher pensa que é um pato
Se esgoelando porque vai para o prato
E só assim você percebe que só assim entende
Que o que tem debaixo do sovaco
É corpo de gente.
Mesmo assim joga na panela o bicho e sua moela
Que grita que tem muitas vidas e essa é uma delas
E tenta e pula e sacode e se tosta e se murcha
E se agarra e repara que a janela no beiral
Dá para a venda onde foi colocado no varal
E escapa e pula e mata e cata o dono da mercearia
E o leva lá pra beira da engordurada pia
E o enfia na panela e o deixa com as pernas de fora
E ele grita e implora e você simplesmente diz -Ora!-
E ele geme que não é gado e nem gato e nem capim
E você diz -Ora!- deixe homem de ser tão infeliz assim
Pois se comido vou ser um dia enquanto soa a melodia
Comido vai ser você agora - hoje chegou o seu dia!
E te vendem o traseiro do gato e você arremata
Pensando que é capim doce lanhado
E chega em casa com aquilo debaixo do braço
E tua mulher pensa que é um pato
Se esgoelando porque vai para o prato
E só assim você percebe que só assim entende
Que o que tem debaixo do sovaco
É corpo de gente.
Mesmo assim joga na panela o bicho e sua moela
Que grita que tem muitas vidas e essa é uma delas
E tenta e pula e sacode e se tosta e se murcha
E se agarra e repara que a janela no beiral
Dá para a venda onde foi colocado no varal
E escapa e pula e mata e cata o dono da mercearia
E o leva lá pra beira da engordurada pia
E o enfia na panela e o deixa com as pernas de fora
E ele grita e implora e você simplesmente diz -Ora!-
E ele geme que não é gado e nem gato e nem capim
E você diz -Ora!- deixe homem de ser tão infeliz assim
Pois se comido vou ser um dia enquanto soa a melodia
Comido vai ser você agora - hoje chegou o seu dia!
NOVO JUIZO
Eu preciso de um novo juizo
O meu está largo-velho-impreciso-
Quero um que não dê prejuizo
E que alcance os barbantes
Que apagam e acendem estrelas
Para que eu possa vê-las
Entrando e saindo
Do meu peito
Infindo...
Eu preciso de uma nova metáfora
Que tape a boca dos mamíferos
Que estão cegos e carnívoros
Para que eu possa alcançar
O imprevisto que vai acontecer
Na madrugada do novo alvorecer
Onde todos terão lâmpadas nos peitos
Indicando corações novos e perfeitos
Contrariando a decisão dos devotos do passado
Que querem corações imprestabilizados
Para novas aventuras que viveremos
Nas curvas do espaço retorcido
Quando tudo o que há
Ou houvera
Ter sido.
O meu está largo-velho-impreciso-
Quero um que não dê prejuizo
E que alcance os barbantes
Que apagam e acendem estrelas
Para que eu possa vê-las
Entrando e saindo
Do meu peito
Infindo...
Eu preciso de uma nova metáfora
Que tape a boca dos mamíferos
Que estão cegos e carnívoros
Para que eu possa alcançar
O imprevisto que vai acontecer
Na madrugada do novo alvorecer
Onde todos terão lâmpadas nos peitos
Indicando corações novos e perfeitos
Contrariando a decisão dos devotos do passado
Que querem corações imprestabilizados
Para novas aventuras que viveremos
Nas curvas do espaço retorcido
Quando tudo o que há
Ou houvera
Ter sido.
CANÁRIOS-DO-REINO
Ainda que o futuro nos diga que será um lugar inseguro
Pulo o muro e roubo maçãs no escuro e nem fico rubro
Se o cão imaturo morde o osso duro que lhe dou...
Ainda que as janelas nos digam que atrás delas há virgens
Olhares sonhando cantigas e trovas eu digo - uma ova! -
Que alguém derrubará o arame que cerca o olhar triste
Do poema perdido entre persianas e umbigos...
Ainda que mentes tentem provocar enchentes de dementes
Em nossos inconscientes latentes em êxtases polivalentes
Plurinascentes teremos que nos tornarmos expoentes
De nossas imberbes faces em narcísicas correntes...
Ainda que nos coloquem em dicionários e formulários
Servidos em escapulários de templos de confrários
Que conduzem proles de otários aos matadouros
De ovários incrustados em lampadários
Viveremos em campanários
Como canários
Do reino...
Pulo o muro e roubo maçãs no escuro e nem fico rubro
Se o cão imaturo morde o osso duro que lhe dou...
Ainda que as janelas nos digam que atrás delas há virgens
Olhares sonhando cantigas e trovas eu digo - uma ova! -
Que alguém derrubará o arame que cerca o olhar triste
Do poema perdido entre persianas e umbigos...
Ainda que mentes tentem provocar enchentes de dementes
Em nossos inconscientes latentes em êxtases polivalentes
Plurinascentes teremos que nos tornarmos expoentes
De nossas imberbes faces em narcísicas correntes...
Ainda que nos coloquem em dicionários e formulários
Servidos em escapulários de templos de confrários
Que conduzem proles de otários aos matadouros
De ovários incrustados em lampadários
Viveremos em campanários
Como canários
Do reino...
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
EM LUGAR DE
Não fique triste:
A paisagem que te roubaram
Era só um quadro
De um pintor falso...
No lugar dela
Existe uma aquarela
Para seus novos olhos
Pois
Atrás de toda tristeza
Há uma beleza
Esperando por você
Esperando ver
Você sorrir.
A tristeza vai, você fica;
Depois da dor,
muito mais bonita.
A paisagem que te roubaram
Era só um quadro
De um pintor falso...
No lugar dela
Existe uma aquarela
Para seus novos olhos
Pois
Atrás de toda tristeza
Há uma beleza
Esperando por você
Esperando ver
Você sorrir.
A tristeza vai, você fica;
Depois da dor,
muito mais bonita.
DE CLARO PENSAMENTO
Eu vi o sol nascer
Eu vi o sol morrer
Eu vi o sol desfalecer
Exércitos de pétalas
Antes do anoitecer...
Eu vi a lua sonhar
Eu vi a lua acordar
Eu vi a lua desmaiar
Comboios de faunos
Antes do clarear...
Vivo eu estava
Vivo como uma tábua
Solta no explendor do mar
A boiar pensamentos
Como bóias no vento
Antes do naufragar...
Não se mata o que se pensa.
O pensamento é um ato
Desfeito de fato
E argumento,
É só um invento
Esperando o acontecer
Dar-lhe forma e conteúdo
Como o som que se declara
No silêncio do mudo.
Eu vi o sol morrer
Eu vi o sol desfalecer
Exércitos de pétalas
Antes do anoitecer...
Eu vi a lua sonhar
Eu vi a lua acordar
Eu vi a lua desmaiar
Comboios de faunos
Antes do clarear...
Vivo eu estava
Vivo como uma tábua
Solta no explendor do mar
A boiar pensamentos
Como bóias no vento
Antes do naufragar...
Não se mata o que se pensa.
O pensamento é um ato
Desfeito de fato
E argumento,
É só um invento
Esperando o acontecer
Dar-lhe forma e conteúdo
Como o som que se declara
No silêncio do mudo.
SINCERIDADE
Sou sincero
Feito um melro
Na janela do mundo
Cantando
O que me dói fundo
Quando acerto
Quando erro.
Feito um melro
Na janela do mundo
Cantando
O que me dói fundo
Quando acerto
Quando erro.
LUVA
Luva é mão sem nada dentro
Um ato sem sentimento
Luva é uva
Sem sementes
Ao vento...
Luva é vulva sem coaxar
Girinos
Turva pele
De menino brilhoso
Ao luar...
Luva guarda o crime
A impressão no vime
Revela
Se a vida que havia nela
Fugiu sem se explicar...
Luva
É pele ao sangue
Peito ao coração
Luva
Da gasolina o tanque
Trama da solução.
Um ato sem sentimento
Luva é uva
Sem sementes
Ao vento...
Luva é vulva sem coaxar
Girinos
Turva pele
De menino brilhoso
Ao luar...
Luva guarda o crime
A impressão no vime
Revela
Se a vida que havia nela
Fugiu sem se explicar...
Luva
É pele ao sangue
Peito ao coração
Luva
Da gasolina o tanque
Trama da solução.
ROCHA
O coração da rocha gosta
Do teu abraço
Pequeno
Como um laço
De fita
De feno
Em volta
Da filha
Rochosa,
Pedra
Ao pé da rocha...
A rocha murmura grãos
E minérios
Impropérios não
Que rocha
É um império
De solidão
E sérios
Pensares
Em sensação...
Não pense que rocha
Dura
Milênios
Como a altura
Viva na imensidão...
Rocha é pra sempre agora
Como a velha hora
Que passa sempre no mesmo lugar
Não vê a hora que foi chegar
Para de novo
Na mesma hora
No mesmo lugar
Estar...
Rocha é água madura
Petrificada
O silêncio titânico
Dizendo nada
Enquanto a rocha
Em barro tântrico
Meditada.
Do teu abraço
Pequeno
Como um laço
De fita
De feno
Em volta
Da filha
Rochosa,
Pedra
Ao pé da rocha...
A rocha murmura grãos
E minérios
Impropérios não
Que rocha
É um império
De solidão
E sérios
Pensares
Em sensação...
Não pense que rocha
Dura
Milênios
Como a altura
Viva na imensidão...
Rocha é pra sempre agora
Como a velha hora
Que passa sempre no mesmo lugar
Não vê a hora que foi chegar
Para de novo
Na mesma hora
No mesmo lugar
Estar...
Rocha é água madura
Petrificada
O silêncio titânico
Dizendo nada
Enquanto a rocha
Em barro tântrico
Meditada.
JÓIA
Já fiz jóia
Jóia fiz já
De jade de Madagascar...
Jóia é de jibóia
E jibóia jóia
É jóia de lagoa ao luar...
Já fui jóia de amar
E o mar de jóias
Me levou
Ao fundo do mar...
Não boia a jóia
Nem pela clarabóia
A jóia joga
Luz de luscar...
Jóia é só jóia
Se olha-se jóia
Sem se perguntar
Se jóia é só jóia
De uso e brilhar.
Jóia fiz já
De jade de Madagascar...
Jóia é de jibóia
E jibóia jóia
É jóia de lagoa ao luar...
Já fui jóia de amar
E o mar de jóias
Me levou
Ao fundo do mar...
Não boia a jóia
Nem pela clarabóia
A jóia joga
Luz de luscar...
Jóia é só jóia
Se olha-se jóia
Sem se perguntar
Se jóia é só jóia
De uso e brilhar.
LEVE
Uma faca de paina
Um pão de vento
De água uma lâmina
De lã o cimento...
Leve
E traga uma sensação nova
Uma ova
Breve...
O edifício de nada
Pousado
Sobre a enxada
Calado
Vendo
O movimento
Do lenço
De seda
No pescoço
De Dalí
Sulcando o pincel
Sobre
A pele
Do faquir...
Leve
E traga
O dentro da fotografia
O titânio da poesia
Serve
A tábua
Leve
Da alegria.
Um pão de vento
De água uma lâmina
De lã o cimento...
Leve
E traga uma sensação nova
Uma ova
Breve...
O edifício de nada
Pousado
Sobre a enxada
Calado
Vendo
O movimento
Do lenço
De seda
No pescoço
De Dalí
Sulcando o pincel
Sobre
A pele
Do faquir...
Leve
E traga
O dentro da fotografia
O titânio da poesia
Serve
A tábua
Leve
Da alegria.
QUEM AMA NÃO CALA
Entre eu e o chão
Um chinelo de borracha
Sem alça
Entre eu o tão
Admirado mundo ovo
Uma nave intergaláctica
Entre a uva e a boca
A leve touca
Inseticídica
A proteger a videira
A bananeira
A muambeira
A touceira
Que guarda o cupim
Cansado do jardim
Cheio de pedras.
Entre eu o você
O ar breve
A nos entontecer
Com perfumes
De ciúmes
Queixumes
De delírios
O rio de frio
Que gela
A goela cheia de palavras
Entre folhas
De dicionários
Dormindo na sala.
Vem
Entre
Sente
Quem ama não cala.
Um chinelo de borracha
Sem alça
Entre eu o tão
Admirado mundo ovo
Uma nave intergaláctica
Entre a uva e a boca
A leve touca
Inseticídica
A proteger a videira
A bananeira
A muambeira
A touceira
Que guarda o cupim
Cansado do jardim
Cheio de pedras.
Entre eu o você
O ar breve
A nos entontecer
Com perfumes
De ciúmes
Queixumes
De delírios
O rio de frio
Que gela
A goela cheia de palavras
Entre folhas
De dicionários
Dormindo na sala.
Vem
Entre
Sente
Quem ama não cala.
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
NOVA ELA
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ELAÉQUEMDIZ
ELAÉQUEMMANDA
ELAÉQUEMSOLETRA
ELAÉQUEMCOMANDA
ELAÉQUEMDIZPARA
ELAÉQUEMASSOVIA
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quarta-feira, 26 de setembro de 2007
UM AMOR PURO
Um amor puro para o meu coração sujo
É o que eu preciso
Que me guie nas noites turvas
Que me dê a mão dentro da turba
Que me leve ao céu em asas de desejo
Com ela eu vou sem nenhum medo...
Um amor puro que apague as manchas do passado
É o que eu preciso
Que me deixe levá-la aonde vou
Porões perigosos onde se canta o melhor blues
À um céu sem equívocos
Onde jorra o soul...
Um amor puro
É disso o que eu preciso
Para amar em paz
O amor comigo.
É o que eu preciso
Que me guie nas noites turvas
Que me dê a mão dentro da turba
Que me leve ao céu em asas de desejo
Com ela eu vou sem nenhum medo...
Um amor puro que apague as manchas do passado
É o que eu preciso
Que me deixe levá-la aonde vou
Porões perigosos onde se canta o melhor blues
À um céu sem equívocos
Onde jorra o soul...
Um amor puro
É disso o que eu preciso
Para amar em paz
O amor comigo.
terça-feira, 25 de setembro de 2007
MULHER DE PLÁSTICO
Não aguento mulher de plástico.
Parece saco de supermercado.
Se faço um furo, estoura,
Se amasso, se enrola,
Se tá furada,
Tô fora.
Mulher de plástico não dá pra aguentar.
Não serve para a cama,
Não serve para o lar,
Não lava a pia,
Não cerze,
Não fia,
Não coze,
Não mia,
De plástico?
Só pra carregar.
Mulher de plástico será a arrumadeira, a camareira, a bordadeira, a trepadeira, a chaleira,
A chiadeira, a nadadeira, a besteira que teremos todos em casa,
Enquanto a mulher de verdade,
Aquela que fuma,
Aquela que bebe,
Aquela que arde
De desejos,
Acordará cedo,
Dirá seus segredos
Em ligações clandestinas,
Será sempre mulher,
Será sempre menina,
Será sempre a sina
De ser mulher.
Parece saco de supermercado.
Se faço um furo, estoura,
Se amasso, se enrola,
Se tá furada,
Tô fora.
Mulher de plástico não dá pra aguentar.
Não serve para a cama,
Não serve para o lar,
Não lava a pia,
Não cerze,
Não fia,
Não coze,
Não mia,
De plástico?
Só pra carregar.
Mulher de plástico será a arrumadeira, a camareira, a bordadeira, a trepadeira, a chaleira,
A chiadeira, a nadadeira, a besteira que teremos todos em casa,
Enquanto a mulher de verdade,
Aquela que fuma,
Aquela que bebe,
Aquela que arde
De desejos,
Acordará cedo,
Dirá seus segredos
Em ligações clandestinas,
Será sempre mulher,
Será sempre menina,
Será sempre a sina
De ser mulher.
VOCÊ VIVERIA SEM?
O peixe não viveria sem as escamas
Já que não se deita na cama
E não se sabe se é polígamo
Ou bígamo
Ou
De um só anzol.
Você:
Viveria sem um par de lábios para esmagar contra o seu desejo invulgar?
Você:
Viveria sem a paisagem de pernas loiras e morenas,
O mar desenhando cenas em Parati
Ou
Viveira comendo pedras em vez de caqui?
A montanha copula com o ar,
O galho se enfia no esgarófalo da ventania:
Você poderia
Passar um dia alisando o sexo do cactus,
Se roçando na urtiga do mato,
Imitando colibri?
Você viveria sem você só pra perceber que não dá pra viver sem viver?
Já que não se deita na cama
E não se sabe se é polígamo
Ou bígamo
Ou
De um só anzol.
Você:
Viveria sem um par de lábios para esmagar contra o seu desejo invulgar?
Você:
Viveria sem a paisagem de pernas loiras e morenas,
O mar desenhando cenas em Parati
Ou
Viveira comendo pedras em vez de caqui?
A montanha copula com o ar,
O galho se enfia no esgarófalo da ventania:
Você poderia
Passar um dia alisando o sexo do cactus,
Se roçando na urtiga do mato,
Imitando colibri?
Você viveria sem você só pra perceber que não dá pra viver sem viver?
LOVE LETTER
Conversando com o mar, ele me perguntou como era você, cor dos seus olhos,
Seu jeito de andar, seu sorriso, das coisas que você gostava, que poemas recitava...
Eu lhe contei que você veio das nuvens, pousou suave em meus braços,
Trazia traços de antigas civilizações, olhos profundos, teu sorriso
Poderia salvar o mundo de guerras, amava cantar canções
À beira dos córregos, escrevia versos soletrando estrelas,
Às vezes dormia em seus braços pequenos pássaros...
Do alforje tirei um retrato puído, mostrei-o ao mar,
Ele sorriu, gotas afagaram o rosto do meu amor,
Contou-me ele que já a havia visto caminhar à beira-mar,
Era Helena, era Tróia, era Penélope, era a mulher de todas as eras,
Diana, Perséfone, a lavadeira à beira de rios antigos, a concha,
A pérola, a estrela-do-mar tecendo correntezas, afugentando tempestades,
A pequena criança a se condoer por Prometeu, às vezes espantando abutres,
Correndo por campinas junto ao rebanhos onde o pastor dizia..."Sou o pastor de ovelhas...",
Queimando no fogo de homens medrosos que gritavam ..."queimem Joana!..."
Sim, era ela a primeira luz da manhã a acordar os homens de seus sonhos e pesadelos...
Guardei o retrato, despedi-me do mar, acenei ao vento e o tempo,
Guardador de todos os amores que se foram na brisa,
Estendeu sua teia e nela apanhei memórias
Feitas de amor e esquecimento.
Como um contador de histórias
Reli toda a sua vida
Como se vivesse
Em teu momento.
Seu jeito de andar, seu sorriso, das coisas que você gostava, que poemas recitava...
Eu lhe contei que você veio das nuvens, pousou suave em meus braços,
Trazia traços de antigas civilizações, olhos profundos, teu sorriso
Poderia salvar o mundo de guerras, amava cantar canções
À beira dos córregos, escrevia versos soletrando estrelas,
Às vezes dormia em seus braços pequenos pássaros...
Do alforje tirei um retrato puído, mostrei-o ao mar,
Ele sorriu, gotas afagaram o rosto do meu amor,
Contou-me ele que já a havia visto caminhar à beira-mar,
Era Helena, era Tróia, era Penélope, era a mulher de todas as eras,
Diana, Perséfone, a lavadeira à beira de rios antigos, a concha,
A pérola, a estrela-do-mar tecendo correntezas, afugentando tempestades,
A pequena criança a se condoer por Prometeu, às vezes espantando abutres,
Correndo por campinas junto ao rebanhos onde o pastor dizia..."Sou o pastor de ovelhas...",
Queimando no fogo de homens medrosos que gritavam ..."queimem Joana!..."
Sim, era ela a primeira luz da manhã a acordar os homens de seus sonhos e pesadelos...
Guardei o retrato, despedi-me do mar, acenei ao vento e o tempo,
Guardador de todos os amores que se foram na brisa,
Estendeu sua teia e nela apanhei memórias
Feitas de amor e esquecimento.
Como um contador de histórias
Reli toda a sua vida
Como se vivesse
Em teu momento.
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
SOB O LUAR
Sob o luar
O mar fica bonito
Mas onde colocar os malditos que alguém desenhou a nanquim?
Sob o luar
A música excita
Mas onde colocar as malditas bruxas que voam no Arpoador na vassoura triplex incolor?
Sob o luar
Podemos confundir água e vinho
Mas onde enfiar o pergaminho que os parturientes do passado legaram ao presente danificado?
Sob o luar
O calor gera
Mas onde imolar cada megera que pensa que Alguém criou a idéia de ovogerar filhos sem amor?
Sob o luar
O impossível crê
Mas onde colocar o bebê que nasce sem nenhum guia ou guru
Que coloque em rota certa esse planeta blue?
O mar fica bonito
Mas onde colocar os malditos que alguém desenhou a nanquim?
Sob o luar
A música excita
Mas onde colocar as malditas bruxas que voam no Arpoador na vassoura triplex incolor?
Sob o luar
Podemos confundir água e vinho
Mas onde enfiar o pergaminho que os parturientes do passado legaram ao presente danificado?
Sob o luar
O calor gera
Mas onde imolar cada megera que pensa que Alguém criou a idéia de ovogerar filhos sem amor?
Sob o luar
O impossível crê
Mas onde colocar o bebê que nasce sem nenhum guia ou guru
Que coloque em rota certa esse planeta blue?
OS SAPATOS DE LAURA
Jamais me esquecerei dos sapatos de Laura.
Brancos...(ou eram pretos?), não tão novos,
Duas pequenas fivelas a cobrirem a parte frontal,
(Ou seriam pingentes?), de couro macio
De algum animal que parece não ter sido sacrificado,
Tinham o jeito de Laura, o jeito que ela tinha andado,
De mulher que conhece os caminhos, de pés ousados,
Revelavam um pequeno desvio no andar, à esquerda,
(Ou seria à direita?), não tão novos, nem velhos,
Laura sabia como andar por este mundo, bastava ver
Como ficaram seus sapatos depois que Laura se foi,
Digo que aqueles sapatos não eram de couro de boi,
Algo se sobressaia naquele par de sapatos, um querer
Andar novamente, um caminhar que de repente
Brota no jeito que os sapatos foram ali deixados,
Algo de Laura ali adormecido à espera de alguém,
Um fluxo de vontade de sair pela porta como quem
Acabou de descansar e está pronto para o mundo,
Um desejo intenso aquietado apenas esperando
O disparar de um par de pernas como as de Laura,
Que se foi sem ninguém saber para onde,
Um lugar que não deve ser tão longe
Porque ainda se sente Laura a caminhar
Descalça dentro de casa, olhando a rua,
Calçando os sapatos, saindo, em direção ao luar.
Brancos...(ou eram pretos?), não tão novos,
Duas pequenas fivelas a cobrirem a parte frontal,
(Ou seriam pingentes?), de couro macio
De algum animal que parece não ter sido sacrificado,
Tinham o jeito de Laura, o jeito que ela tinha andado,
De mulher que conhece os caminhos, de pés ousados,
Revelavam um pequeno desvio no andar, à esquerda,
(Ou seria à direita?), não tão novos, nem velhos,
Laura sabia como andar por este mundo, bastava ver
Como ficaram seus sapatos depois que Laura se foi,
Digo que aqueles sapatos não eram de couro de boi,
Algo se sobressaia naquele par de sapatos, um querer
Andar novamente, um caminhar que de repente
Brota no jeito que os sapatos foram ali deixados,
Algo de Laura ali adormecido à espera de alguém,
Um fluxo de vontade de sair pela porta como quem
Acabou de descansar e está pronto para o mundo,
Um desejo intenso aquietado apenas esperando
O disparar de um par de pernas como as de Laura,
Que se foi sem ninguém saber para onde,
Um lugar que não deve ser tão longe
Porque ainda se sente Laura a caminhar
Descalça dentro de casa, olhando a rua,
Calçando os sapatos, saindo, em direção ao luar.
CAVALOS
Horses, elegantes, gigantes, forças exuberantes,
Crinas, patas, músculos, corações arfantes,
Cavalos são halos de luz em campos
Sagrados em seus sonhos amplos...
Monte em um cavalo como se perguntasse à um deus
Como cavalgar a vida em uma estátua de Zeus,
Cavalgue como se fluisse um horizonte sem fim,
Como se, fundido a ele, fosse do elefante o marfim...
Erga os olhos e sinta o poder de conquistar terras,
De avançar impérios, dominar potestados,
Conduzir exércitos e inventar uma nova era
Em um animal divino simplesmente montado...
Cavalos relincham e erguem as patas e sugerem
Que o tempo para diante de sua imensa coragem;
Cavalos sentem a força do universo que lhes erguem
Em potência a cavalgada poderosa nessa viagem.
Crinas, patas, músculos, corações arfantes,
Cavalos são halos de luz em campos
Sagrados em seus sonhos amplos...
Monte em um cavalo como se perguntasse à um deus
Como cavalgar a vida em uma estátua de Zeus,
Cavalgue como se fluisse um horizonte sem fim,
Como se, fundido a ele, fosse do elefante o marfim...
Erga os olhos e sinta o poder de conquistar terras,
De avançar impérios, dominar potestados,
Conduzir exércitos e inventar uma nova era
Em um animal divino simplesmente montado...
Cavalos relincham e erguem as patas e sugerem
Que o tempo para diante de sua imensa coragem;
Cavalos sentem a força do universo que lhes erguem
Em potência a cavalgada poderosa nessa viagem.
O TEU BRAÇO
Eu invejo o teu braço
Que abraça o mundo
E afaga o baço
E lança a lança e lança o traço
Na tela em que pintas o teu amor...
Invejo a extensão do arco pleno
Que cravas no ar sem mais nem menos
Quando apontas com esses dedos
Que ao teu braço não causam medo
E quando apanhas no chão a folha
Ou uma subserviente rolha
Do vinho tomado
Por ti e teu amado...
Amo teu braço quando apontas o horizonte
E diz que lá não é muito longe
É bem mais perto do que aqui
Onde dá água a um colibri...
Vejo teu braço como extensão
Daquele que fez este mundo
Como mapa de indicação
Daquele que pensou profundo
E criou a metáfora do galho longo
Onde pousam águias e pequenos pombos
Braço que engendra a carta de liberdade
Que expulsa demônios com insaciedade
Braço que enerva àqueles que querem a poesia
Trancafiada em falsos livros como mercadorias
A serem vendidas àqueles que seus braços estendem
Pedindo por braços que lhe deêm pão e que não se vendem.
Teu braço, livre arco que o espaço atravessa;
E com desenvoltura lanças a flecha.
Que abraça o mundo
E afaga o baço
E lança a lança e lança o traço
Na tela em que pintas o teu amor...
Invejo a extensão do arco pleno
Que cravas no ar sem mais nem menos
Quando apontas com esses dedos
Que ao teu braço não causam medo
E quando apanhas no chão a folha
Ou uma subserviente rolha
Do vinho tomado
Por ti e teu amado...
Amo teu braço quando apontas o horizonte
E diz que lá não é muito longe
É bem mais perto do que aqui
Onde dá água a um colibri...
Vejo teu braço como extensão
Daquele que fez este mundo
Como mapa de indicação
Daquele que pensou profundo
E criou a metáfora do galho longo
Onde pousam águias e pequenos pombos
Braço que engendra a carta de liberdade
Que expulsa demônios com insaciedade
Braço que enerva àqueles que querem a poesia
Trancafiada em falsos livros como mercadorias
A serem vendidas àqueles que seus braços estendem
Pedindo por braços que lhe deêm pão e que não se vendem.
Teu braço, livre arco que o espaço atravessa;
E com desenvoltura lanças a flecha.
O MONGE
O monge vai a pé
Não vai de bonde
Não cheira rapé
Enxerga longe
Reza por mim por ti e tu
Não come carne nem de tatú
Porisso dizem tem dentes fortes
Não vai pro sul não vai pro norte
Fiel ao céu crê no azul
Como creio eu no blues.
Monge que é monge
Guarda pra si mas não esconde
Não paga meia pra ver a verdade
Não vê a mínima nescessidade
De pintar o que já está pintado
Nem o sol nem o muro ao lado
O monge ao menor barulho que range
Não se move pra alcançar o alfanje
Pois sabe que o mel é pra por na boca
Como na cabeça feita à mão a touca.
Se queres ser um monge
Monge será se monge for
Pois monge nasce monge cresce
Monge sem tirar nem pôr.
Não vai de bonde
Não cheira rapé
Enxerga longe
Reza por mim por ti e tu
Não come carne nem de tatú
Porisso dizem tem dentes fortes
Não vai pro sul não vai pro norte
Fiel ao céu crê no azul
Como creio eu no blues.
Monge que é monge
Guarda pra si mas não esconde
Não paga meia pra ver a verdade
Não vê a mínima nescessidade
De pintar o que já está pintado
Nem o sol nem o muro ao lado
O monge ao menor barulho que range
Não se move pra alcançar o alfanje
Pois sabe que o mel é pra por na boca
Como na cabeça feita à mão a touca.
Se queres ser um monge
Monge será se monge for
Pois monge nasce monge cresce
Monge sem tirar nem pôr.
PELO BURACO DA FECHADURA
Pelo buraco da fechadura
Eu vi a minha eu vi a tua
Eu vi a via eu vi a rua
Pelo buraco da fechadura
Eu vi de roupa eu vi nua
Eu vi de pêlo a raspadura
Eu vi o arco eu vi a pua...
Pelo buraco da fechadura
Eu vi de pé eu vi deitado
Vi no sopé pé só sambado
Eu vi traveco ensaboado
Vi de esgueio o aleitado
Pelo buraco da fechadura
Fiz que nem vi o que era de vê
Um baita susto de acontecer
Ver tudo sem pano por cima
Tudo de perto da minha prima
Pelo buraco da fechadura
Vi o prender vi a soltura
Moranga macho manga madura
Pé de moleque dente segura
Pelo buraco da fechadura.
Pelo buraco da fechadura
Foi que eu te vi assim que vejo
Foi que pedi um meio beijo
De acender pavio de fogo
Eu te vi louca de esperneio
Vi que logo não tinha jeito
Mais foi que vi não tinha cura
Pelo buraco da fechadura.
Eu vi a minha eu vi a tua
Eu vi a via eu vi a rua
Pelo buraco da fechadura
Eu vi de roupa eu vi nua
Eu vi de pêlo a raspadura
Eu vi o arco eu vi a pua...
Pelo buraco da fechadura
Eu vi de pé eu vi deitado
Vi no sopé pé só sambado
Eu vi traveco ensaboado
Vi de esgueio o aleitado
Pelo buraco da fechadura
Fiz que nem vi o que era de vê
Um baita susto de acontecer
Ver tudo sem pano por cima
Tudo de perto da minha prima
Pelo buraco da fechadura
Vi o prender vi a soltura
Moranga macho manga madura
Pé de moleque dente segura
Pelo buraco da fechadura.
Pelo buraco da fechadura
Foi que eu te vi assim que vejo
Foi que pedi um meio beijo
De acender pavio de fogo
Eu te vi louca de esperneio
Vi que logo não tinha jeito
Mais foi que vi não tinha cura
Pelo buraco da fechadura.
LACRE
O corpo vem com lacre.
Vem fechado
Umbandado
Candomblezado
Nagô
Sem ofurô.
Vem lacrado
Pela fama do pecado
Sem nem um furinho
Sem nem um buraquinho
Nem para ovo pôr.
Vem com tampa de segurança
Trava
Cadeado
Trança
Blindado
Numerado
Sacrossanto
Colado
À vapor.
Alguém descobre o segredo
Fura-bolo
Mete o dedo
Dá rolo
Desejo
Abre o lacre
Abre a tampa
Almoça
Janta
Lá se foi o protetor.
Vem fechado
Umbandado
Candomblezado
Nagô
Sem ofurô.
Vem lacrado
Pela fama do pecado
Sem nem um furinho
Sem nem um buraquinho
Nem para ovo pôr.
Vem com tampa de segurança
Trava
Cadeado
Trança
Blindado
Numerado
Sacrossanto
Colado
À vapor.
Alguém descobre o segredo
Fura-bolo
Mete o dedo
Dá rolo
Desejo
Abre o lacre
Abre a tampa
Almoça
Janta
Lá se foi o protetor.
POINT OF VISION
O que me interessa é esse ponto.
Vê?
Esse ponto!
Entre o umbigo e tua vagina.
O ponto onde nasce a esquina
Do desejo.
O ponto onde o medo morre de medo
Mas não entrega o segredo.
Esse ponto onde ponho a língua,
Onde encontro a vespertina
Do gozo claridade matutina.
Vê?
Olhe,
Curve-se mais,
Até onde os animais
Enxergam onde repousa a pétala,
Onde se reserva a papoula acéfala,
Onde o espiritual encontra a carne,
Confluência das duas metades
Do fogo que arde.
Olhe,
Vê,
Sinta,
Não minta,
Ainda falta a tinta
Do polvo que sou,
Submerso no teu amor.
Vê?
Esse ponto!
Entre o umbigo e tua vagina.
O ponto onde nasce a esquina
Do desejo.
O ponto onde o medo morre de medo
Mas não entrega o segredo.
Esse ponto onde ponho a língua,
Onde encontro a vespertina
Do gozo claridade matutina.
Vê?
Olhe,
Curve-se mais,
Até onde os animais
Enxergam onde repousa a pétala,
Onde se reserva a papoula acéfala,
Onde o espiritual encontra a carne,
Confluência das duas metades
Do fogo que arde.
Olhe,
Vê,
Sinta,
Não minta,
Ainda falta a tinta
Do polvo que sou,
Submerso no teu amor.
COMILANÇA
Lambe meu pé lambo tua mão
Mordo tua orelha esfregas minhas nádegas
Lambes meu olhos lambo teus cotovelos
Mamas nos meus mamilos lambo o teu riso
Mamo nos seus mamões mordes minha virilha
Negas à cocega me nego acocorar
Lambes meu saco lambo até o espamo
Mordo tua vulva mordes meus lóbulos
Lambes meu pau lambo teu púbis
Mordes minha nuca lambo teu clitoris
Antes da luz o breu
Antes de morrer você
Morro eu.
Mordo tua orelha esfregas minhas nádegas
Lambes meu olhos lambo teus cotovelos
Mamas nos meus mamilos lambo o teu riso
Mamo nos seus mamões mordes minha virilha
Negas à cocega me nego acocorar
Lambes meu saco lambo até o espamo
Mordo tua vulva mordes meus lóbulos
Lambes meu pau lambo teu púbis
Mordes minha nuca lambo teu clitoris
Antes da luz o breu
Antes de morrer você
Morro eu.
QUERER
Se queres ter
Tem que dar...
Se queres ver
Tem que olhar...
Se queres vir
Tem que andar...
Se queres caçar
Tem que sangrar...
Se queres amar
Tem que amar...
Se queres possuir
Tem que ceder...
Se queres queimar
Tem que acender...
Se queres gozar
Tem que rir...
Se queres fazer
Tem agir...
Se queres querer
O que queres tem que ser...
Tem que dar...
Se queres ver
Tem que olhar...
Se queres vir
Tem que andar...
Se queres caçar
Tem que sangrar...
Se queres amar
Tem que amar...
Se queres possuir
Tem que ceder...
Se queres queimar
Tem que acender...
Se queres gozar
Tem que rir...
Se queres fazer
Tem agir...
Se queres querer
O que queres tem que ser...
PELA RAMPA
Velox, veluz, viajor, velocity, velocidade, velux oxidade,
velejar velax, pela rampa no morro da cidade,
raspa a pata do caranguejo, raspa o beijo
na face da menina vendo o céu descer de rodas,
raspa a rota entre dragões e bonecos de pelúcia,
use a astúcia do gavião, aterrise, roçe o chão,
pela rampa da cabeça desce a infinita veloz certeza
de que o mundo está sempre à mão no fio da beleza,
velax , vetrox, vernix, vedrox, verdejax, verdepoint,
serpentes descendo o dorso do medo e mordendo,
vetrix, polux, polix, memox, memix, cabalix, pox,
pela rampa da lingua desce o latido do cão da Grécia,
desce Phoenix, desce lex, desce Luthor, desce Pluto,
desce o mundo de entre-ursos, desce o lux do excesso,
pela rampa empoeirada vem a lax lox manada,
vem a ursa maior pelada, rampa chama
loucos rampeiros, rampox, rancheiros.
Velox, veluz, viajor, velocity, velocidade, velux oxidade,
velejar velax, pela rampa no morro da cidade,
raspa a pata do caranguejo, raspa o beijo
na face da menina vendo o céu descer de rodas,
raspa a rota entre dragões e bonecos de pelúcia,
use a astúcia do gavião, aterrise, roçe o chão,
pela rampa da cabeça desce a infinita veloz certeza
de que o mundo está sempre à mão no fio da beleza,
velax , vetrox, vernix, vedrox, verdejax, verdepoint,
serpentes descendo o dorso do medo e mordendo,
vetrix, polux, polix, memox, memix, cabalix, pox,
pela rampa da lingua desce o latido do cão da Grécia,
desce Phoenix, desce lex, desce Luthor, desce Pluto,
desce o mundo de entre-ursos, desce o lux do excesso,
pela rampa empoeirada vem a lax lox manada,
vem a ursa maior pelada, rampa chama
loucos rampeiros, rampox, rancheiros.
JARDIM DE DELÍCIAS
Vem,
toma o fruto que quiser deste pomar,
beba o mar, beba o ar, menos veneno,
menos cicuta, já há quem te escuta
além da terra redonda, da redoma,
do paraíso perdido entre gigantes de pedra
e girassóis em que luzes pousam anzóis
a pescarem duendes e faunos e fedras...
Vem,
toma sua arma, seu tanque, seus obus,
esqueça essa cruz pregada no porão do céu,
arranque esse escuro e pegajoso véu,
não alimente os cães atrás da sinagoga,
não se ajuste com aqueles que usam toga,
apaciente suas tempestades, escreva à mão,
não morra pendurado numa cortina de banheiro,
saiba que o amor, além de dor, tem cheiro,
se aposse do que sempre foi teu, teu coração,
também feito à mão por anjos celestes,
não se atrele àqueles que trazem a peste,
não olhar não significa não ver,
não possuir não significa não ter...
Vem,
o jardim de delícias é sua mais alta vista,
água, fogo, vento, ar,
é sua mais forte e poderosa conquista,
tomar de si e criar.
toma o fruto que quiser deste pomar,
beba o mar, beba o ar, menos veneno,
menos cicuta, já há quem te escuta
além da terra redonda, da redoma,
do paraíso perdido entre gigantes de pedra
e girassóis em que luzes pousam anzóis
a pescarem duendes e faunos e fedras...
Vem,
toma sua arma, seu tanque, seus obus,
esqueça essa cruz pregada no porão do céu,
arranque esse escuro e pegajoso véu,
não alimente os cães atrás da sinagoga,
não se ajuste com aqueles que usam toga,
apaciente suas tempestades, escreva à mão,
não morra pendurado numa cortina de banheiro,
saiba que o amor, além de dor, tem cheiro,
se aposse do que sempre foi teu, teu coração,
também feito à mão por anjos celestes,
não se atrele àqueles que trazem a peste,
não olhar não significa não ver,
não possuir não significa não ter...
Vem,
o jardim de delícias é sua mais alta vista,
água, fogo, vento, ar,
é sua mais forte e poderosa conquista,
tomar de si e criar.
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