quinta-feira, 27 de setembro de 2007

NOVA ELA

ELAÉQUEFAZ
ELAÉQUEMDIZ
ELAÉQUEMMANDA
ELAÉQUEMSOLETRA
ELAÉQUEMCOMANDA
ELAÉQUEMDIZPARA
ELAÉQUEMASSOVIA
ELAÉQUEMPUBLICA
ELAÉQUEMCAÇA
ELAÉQUEMUSA
ELAÉQUEMÉ
ELAÉQUEM
ELAÉ.

NEMÀPAU

P
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L
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PAUPAUPAUPAUPAUPAUPAUPAUPAUPAUPAUPAUPAUPAUPAU)
pau-pra-todaobra-pau-brasil-pauqueimado-paulista-paupérrimo-paulo)
pau-de-fumo-pau-de-arara-pauta-pauleira-pau-de-ferro-depauperado)
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POEMONEY

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quarta-feira, 26 de setembro de 2007

UM AMOR PURO

Um amor puro para o meu coração sujo
É o que eu preciso
Que me guie nas noites turvas
Que me dê a mão dentro da turba
Que me leve ao céu em asas de desejo
Com ela eu vou sem nenhum medo...

Um amor puro que apague as manchas do passado
É o que eu preciso
Que me deixe levá-la aonde vou
Porões perigosos onde se canta o melhor blues
À um céu sem equívocos
Onde jorra o soul...

Um amor puro
É disso o que eu preciso
Para amar em paz
O amor comigo.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

MULHER DE PLÁSTICO

Não aguento mulher de plástico.
Parece saco de supermercado.
Se faço um furo, estoura,
Se amasso, se enrola,
Se tá furada,
Tô fora.
Mulher de plástico não dá pra aguentar.
Não serve para a cama,
Não serve para o lar,
Não lava a pia,
Não cerze,
Não fia,
Não coze,
Não mia,
De plástico?
Só pra carregar.
Mulher de plástico será a arrumadeira, a camareira, a bordadeira, a trepadeira, a chaleira,
A chiadeira, a nadadeira, a besteira que teremos todos em casa,
Enquanto a mulher de verdade,
Aquela que fuma,
Aquela que bebe,
Aquela que arde
De desejos,
Acordará cedo,
Dirá seus segredos
Em ligações clandestinas,
Será sempre mulher,
Será sempre menina,
Será sempre a sina
De ser mulher.

VOCÊ VIVERIA SEM?

O peixe não viveria sem as escamas
Já que não se deita na cama
E não se sabe se é polígamo
Ou bígamo
Ou
De um só anzol.
Você:
Viveria sem um par de lábios para esmagar contra o seu desejo invulgar?
Você:
Viveria sem a paisagem de pernas loiras e morenas,
O mar desenhando cenas em Parati
Ou
Viveira comendo pedras em vez de caqui?
A montanha copula com o ar,
O galho se enfia no esgarófalo da ventania:
Você poderia
Passar um dia alisando o sexo do cactus,
Se roçando na urtiga do mato,
Imitando colibri?
Você viveria sem você só pra perceber que não dá pra viver sem viver?

LOVE LETTER

Conversando com o mar, ele me perguntou como era você, cor dos seus olhos,
Seu jeito de andar, seu sorriso, das coisas que você gostava, que poemas recitava...
Eu lhe contei que você veio das nuvens, pousou suave em meus braços,
Trazia traços de antigas civilizações, olhos profundos, teu sorriso
Poderia salvar o mundo de guerras, amava cantar canções
À beira dos córregos, escrevia versos soletrando estrelas,
Às vezes dormia em seus braços pequenos pássaros...
Do alforje tirei um retrato puído, mostrei-o ao mar,
Ele sorriu, gotas afagaram o rosto do meu amor,
Contou-me ele que já a havia visto caminhar à beira-mar,
Era Helena, era Tróia, era Penélope, era a mulher de todas as eras,
Diana, Perséfone, a lavadeira à beira de rios antigos, a concha,
A pérola, a estrela-do-mar tecendo correntezas, afugentando tempestades,
A pequena criança a se condoer por Prometeu, às vezes espantando abutres,
Correndo por campinas junto ao rebanhos onde o pastor dizia..."Sou o pastor de ovelhas...",
Queimando no fogo de homens medrosos que gritavam ..."queimem Joana!..."
Sim, era ela a primeira luz da manhã a acordar os homens de seus sonhos e pesadelos...
Guardei o retrato, despedi-me do mar, acenei ao vento e o tempo,
Guardador de todos os amores que se foram na brisa,
Estendeu sua teia e nela apanhei memórias
Feitas de amor e esquecimento.
Como um contador de histórias
Reli toda a sua vida
Como se vivesse
Em teu momento.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

SOB O LUAR

Sob o luar
O mar fica bonito
Mas onde colocar os malditos que alguém desenhou a nanquim?

Sob o luar
A música excita
Mas onde colocar as malditas bruxas que voam no Arpoador na vassoura triplex incolor?

Sob o luar
Podemos confundir água e vinho
Mas onde enfiar o pergaminho que os parturientes do passado legaram ao presente danificado?

Sob o luar
O calor gera
Mas onde imolar cada megera que pensa que Alguém criou a idéia de ovogerar filhos sem amor?

Sob o luar
O impossível crê
Mas onde colocar o bebê que nasce sem nenhum guia ou guru
Que coloque em rota certa esse planeta blue?

OS SAPATOS DE LAURA

Jamais me esquecerei dos sapatos de Laura.
Brancos...(ou eram pretos?), não tão novos,
Duas pequenas fivelas a cobrirem a parte frontal,
(Ou seriam pingentes?), de couro macio
De algum animal que parece não ter sido sacrificado,
Tinham o jeito de Laura, o jeito que ela tinha andado,
De mulher que conhece os caminhos, de pés ousados,
Revelavam um pequeno desvio no andar, à esquerda,
(Ou seria à direita?), não tão novos, nem velhos,
Laura sabia como andar por este mundo, bastava ver
Como ficaram seus sapatos depois que Laura se foi,
Digo que aqueles sapatos não eram de couro de boi,
Algo se sobressaia naquele par de sapatos, um querer
Andar novamente, um caminhar que de repente
Brota no jeito que os sapatos foram ali deixados,
Algo de Laura ali adormecido à espera de alguém,
Um fluxo de vontade de sair pela porta como quem
Acabou de descansar e está pronto para o mundo,
Um desejo intenso aquietado apenas esperando
O disparar de um par de pernas como as de Laura,
Que se foi sem ninguém saber para onde,
Um lugar que não deve ser tão longe
Porque ainda se sente Laura a caminhar
Descalça dentro de casa, olhando a rua,
Calçando os sapatos, saindo, em direção ao luar.

CAVALOS

Horses, elegantes, gigantes, forças exuberantes,
Crinas, patas, músculos, corações arfantes,
Cavalos são halos de luz em campos
Sagrados em seus sonhos amplos...

Monte em um cavalo como se perguntasse à um deus
Como cavalgar a vida em uma estátua de Zeus,
Cavalgue como se fluisse um horizonte sem fim,
Como se, fundido a ele, fosse do elefante o marfim...

Erga os olhos e sinta o poder de conquistar terras,
De avançar impérios, dominar potestados,
Conduzir exércitos e inventar uma nova era
Em um animal divino simplesmente montado...

Cavalos relincham e erguem as patas e sugerem
Que o tempo para diante de sua imensa coragem;
Cavalos sentem a força do universo que lhes erguem
Em potência a cavalgada poderosa nessa viagem.

O TEU BRAÇO

Eu invejo o teu braço
Que abraça o mundo
E afaga o baço
E lança a lança e lança o traço
Na tela em que pintas o teu amor...

Invejo a extensão do arco pleno
Que cravas no ar sem mais nem menos
Quando apontas com esses dedos
Que ao teu braço não causam medo
E quando apanhas no chão a folha
Ou uma subserviente rolha
Do vinho tomado
Por ti e teu amado...

Amo teu braço quando apontas o horizonte
E diz que lá não é muito longe
É bem mais perto do que aqui
Onde dá água a um colibri...

Vejo teu braço como extensão
Daquele que fez este mundo
Como mapa de indicação
Daquele que pensou profundo
E criou a metáfora do galho longo
Onde pousam águias e pequenos pombos
Braço que engendra a carta de liberdade
Que expulsa demônios com insaciedade
Braço que enerva àqueles que querem a poesia
Trancafiada em falsos livros como mercadorias
A serem vendidas àqueles que seus braços estendem
Pedindo por braços que lhe deêm pão e que não se vendem.

Teu braço, livre arco que o espaço atravessa;
E com desenvoltura lanças a flecha.

O MONGE

O monge vai a pé
Não vai de bonde
Não cheira rapé
Enxerga longe
Reza por mim por ti e tu
Não come carne nem de tatú
Porisso dizem tem dentes fortes
Não vai pro sul não vai pro norte
Fiel ao céu crê no azul
Como creio eu no blues.

Monge que é monge
Guarda pra si mas não esconde
Não paga meia pra ver a verdade
Não vê a mínima nescessidade
De pintar o que já está pintado
Nem o sol nem o muro ao lado
O monge ao menor barulho que range
Não se move pra alcançar o alfanje
Pois sabe que o mel é pra por na boca
Como na cabeça feita à mão a touca.

Se queres ser um monge
Monge será se monge for
Pois monge nasce monge cresce
Monge sem tirar nem pôr.

PELO BURACO DA FECHADURA

Pelo buraco da fechadura
Eu vi a minha eu vi a tua
Eu vi a via eu vi a rua
Pelo buraco da fechadura
Eu vi de roupa eu vi nua
Eu vi de pêlo a raspadura
Eu vi o arco eu vi a pua...

Pelo buraco da fechadura
Eu vi de pé eu vi deitado
Vi no sopé pé só sambado
Eu vi traveco ensaboado
Vi de esgueio o aleitado
Pelo buraco da fechadura
Fiz que nem vi o que era de vê
Um baita susto de acontecer
Ver tudo sem pano por cima
Tudo de perto da minha prima
Pelo buraco da fechadura
Vi o prender vi a soltura
Moranga macho manga madura
Pé de moleque dente segura
Pelo buraco da fechadura.

Pelo buraco da fechadura
Foi que eu te vi assim que vejo
Foi que pedi um meio beijo
De acender pavio de fogo
Eu te vi louca de esperneio
Vi que logo não tinha jeito
Mais foi que vi não tinha cura
Pelo buraco da fechadura.

LACRE

O corpo vem com lacre.
Vem fechado
Umbandado
Candomblezado
Nagô
Sem ofurô.

Vem lacrado
Pela fama do pecado
Sem nem um furinho
Sem nem um buraquinho
Nem para ovo pôr.

Vem com tampa de segurança
Trava
Cadeado
Trança
Blindado
Numerado
Sacrossanto
Colado
À vapor.

Alguém descobre o segredo
Fura-bolo
Mete o dedo
Dá rolo
Desejo
Abre o lacre
Abre a tampa
Almoça
Janta
Lá se foi o protetor.

POINT OF VISION

O que me interessa é esse ponto.
Vê?
Esse ponto!
Entre o umbigo e tua vagina.
O ponto onde nasce a esquina
Do desejo.
O ponto onde o medo morre de medo
Mas não entrega o segredo.
Esse ponto onde ponho a língua,
Onde encontro a vespertina
Do gozo claridade matutina.
Vê?
Olhe,
Curve-se mais,
Até onde os animais
Enxergam onde repousa a pétala,
Onde se reserva a papoula acéfala,
Onde o espiritual encontra a carne,
Confluência das duas metades
Do fogo que arde.
Olhe,
Vê,
Sinta,
Não minta,
Ainda falta a tinta
Do polvo que sou,
Submerso no teu amor.

COMILANÇA

Lambe meu pé lambo tua mão
Mordo tua orelha esfregas minhas nádegas
Lambes meu olhos lambo teus cotovelos
Mamas nos meus mamilos lambo o teu riso
Mamo nos seus mamões mordes minha virilha
Negas à cocega me nego acocorar
Lambes meu saco lambo até o espamo
Mordo tua vulva mordes meus lóbulos
Lambes meu pau lambo teu púbis
Mordes minha nuca lambo teu clitoris
Antes da luz o breu
Antes de morrer você
Morro eu.

QUERER

Se queres ter
Tem que dar...
Se queres ver
Tem que olhar...
Se queres vir
Tem que andar...
Se queres caçar
Tem que sangrar...
Se queres amar
Tem que amar...
Se queres possuir
Tem que ceder...
Se queres queimar
Tem que acender...
Se queres gozar
Tem que rir...
Se queres fazer
Tem agir...
Se queres querer
O que queres tem que ser...
PELA RAMPA

Velox, veluz, viajor, velocity, velocidade, velux oxidade,
velejar velax, pela rampa no morro da cidade,
raspa a pata do caranguejo, raspa o beijo
na face da menina vendo o céu descer de rodas,
raspa a rota entre dragões e bonecos de pelúcia,
use a astúcia do gavião, aterrise, roçe o chão,
pela rampa da cabeça desce a infinita veloz certeza
de que o mundo está sempre à mão no fio da beleza,
velax , vetrox, vernix, vedrox, verdejax, verdepoint,
serpentes descendo o dorso do medo e mordendo,
vetrix, polux, polix, memox, memix, cabalix, pox,
pela rampa da lingua desce o latido do cão da Grécia,
desce Phoenix, desce lex, desce Luthor, desce Pluto,
desce o mundo de entre-ursos, desce o lux do excesso,
pela rampa empoeirada vem a lax lox manada,
vem a ursa maior pelada, rampa chama
loucos rampeiros, rampox, rancheiros.

JARDIM DE DELÍCIAS

Vem,
toma o fruto que quiser deste pomar,
beba o mar, beba o ar, menos veneno,
menos cicuta, já há quem te escuta
além da terra redonda, da redoma,
do paraíso perdido entre gigantes de pedra
e girassóis em que luzes pousam anzóis
a pescarem duendes e faunos e fedras...

Vem,
toma sua arma, seu tanque, seus obus,
esqueça essa cruz pregada no porão do céu,
arranque esse escuro e pegajoso véu,
não alimente os cães atrás da sinagoga,
não se ajuste com aqueles que usam toga,
apaciente suas tempestades, escreva à mão,
não morra pendurado numa cortina de banheiro,
saiba que o amor, além de dor, tem cheiro,
se aposse do que sempre foi teu, teu coração,
também feito à mão por anjos celestes,
não se atrele àqueles que trazem a peste,
não olhar não significa não ver,
não possuir não significa não ter...
Vem,
o jardim de delícias é sua mais alta vista,
água, fogo, vento, ar,
é sua mais forte e poderosa conquista,
tomar de si e criar.