segunda-feira, 24 de setembro de 2007

JARDIM DE DELÍCIAS

Vem,
toma o fruto que quiser deste pomar,
beba o mar, beba o ar, menos veneno,
menos cicuta, já há quem te escuta
além da terra redonda, da redoma,
do paraíso perdido entre gigantes de pedra
e girassóis em que luzes pousam anzóis
a pescarem duendes e faunos e fedras...

Vem,
toma sua arma, seu tanque, seus obus,
esqueça essa cruz pregada no porão do céu,
arranque esse escuro e pegajoso véu,
não alimente os cães atrás da sinagoga,
não se ajuste com aqueles que usam toga,
apaciente suas tempestades, escreva à mão,
não morra pendurado numa cortina de banheiro,
saiba que o amor, além de dor, tem cheiro,
se aposse do que sempre foi teu, teu coração,
também feito à mão por anjos celestes,
não se atrele àqueles que trazem a peste,
não olhar não significa não ver,
não possuir não significa não ter...
Vem,
o jardim de delícias é sua mais alta vista,
água, fogo, vento, ar,
é sua mais forte e poderosa conquista,
tomar de si e criar.

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