Conversando com o mar, ele me perguntou como era você, cor dos seus olhos,
Seu jeito de andar, seu sorriso, das coisas que você gostava, que poemas recitava...
Eu lhe contei que você veio das nuvens, pousou suave em meus braços,
Trazia traços de antigas civilizações, olhos profundos, teu sorriso
Poderia salvar o mundo de guerras, amava cantar canções
À beira dos córregos, escrevia versos soletrando estrelas,
Às vezes dormia em seus braços pequenos pássaros...
Do alforje tirei um retrato puído, mostrei-o ao mar,
Ele sorriu, gotas afagaram o rosto do meu amor,
Contou-me ele que já a havia visto caminhar à beira-mar,
Era Helena, era Tróia, era Penélope, era a mulher de todas as eras,
Diana, Perséfone, a lavadeira à beira de rios antigos, a concha,
A pérola, a estrela-do-mar tecendo correntezas, afugentando tempestades,
A pequena criança a se condoer por Prometeu, às vezes espantando abutres,
Correndo por campinas junto ao rebanhos onde o pastor dizia..."Sou o pastor de ovelhas...",
Queimando no fogo de homens medrosos que gritavam ..."queimem Joana!..."
Sim, era ela a primeira luz da manhã a acordar os homens de seus sonhos e pesadelos...
Guardei o retrato, despedi-me do mar, acenei ao vento e o tempo,
Guardador de todos os amores que se foram na brisa,
Estendeu sua teia e nela apanhei memórias
Feitas de amor e esquecimento.
Como um contador de histórias
Reli toda a sua vida
Como se vivesse
Em teu momento.
terça-feira, 25 de setembro de 2007
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