segunda-feira, 24 de setembro de 2007

OS SAPATOS DE LAURA

Jamais me esquecerei dos sapatos de Laura.
Brancos...(ou eram pretos?), não tão novos,
Duas pequenas fivelas a cobrirem a parte frontal,
(Ou seriam pingentes?), de couro macio
De algum animal que parece não ter sido sacrificado,
Tinham o jeito de Laura, o jeito que ela tinha andado,
De mulher que conhece os caminhos, de pés ousados,
Revelavam um pequeno desvio no andar, à esquerda,
(Ou seria à direita?), não tão novos, nem velhos,
Laura sabia como andar por este mundo, bastava ver
Como ficaram seus sapatos depois que Laura se foi,
Digo que aqueles sapatos não eram de couro de boi,
Algo se sobressaia naquele par de sapatos, um querer
Andar novamente, um caminhar que de repente
Brota no jeito que os sapatos foram ali deixados,
Algo de Laura ali adormecido à espera de alguém,
Um fluxo de vontade de sair pela porta como quem
Acabou de descansar e está pronto para o mundo,
Um desejo intenso aquietado apenas esperando
O disparar de um par de pernas como as de Laura,
Que se foi sem ninguém saber para onde,
Um lugar que não deve ser tão longe
Porque ainda se sente Laura a caminhar
Descalça dentro de casa, olhando a rua,
Calçando os sapatos, saindo, em direção ao luar.

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