Solidão é abrir a janela e pegar rabeira na estrela bela
E sair voando até onde e quando o sono deixá-lo dormir...
Acordar e sair e não ter acordado e nem ter saído
E ficar como que partido movendo-se sem ter ido...
Beber e não matar a sede de nenhum de seus súditos
E sentir-se inteligente sem saber quem é o estúpido...
Solidão é rodar o sarilho do poço que guarda milhões de diamantes
E não alcançar um único brilho que devora o escuro do instante...
Criar e recriar e depois de observar o que recriado da cria se criou
Ver-se posto diante do futuro e não alcançá-lo por ter as mãos do seu avô...
Solidão é erguer um brinde e rir com um a um dos seus inúmeros convidados
E ao abrir os olhos é reparar que se está só por não ter sido por nenhum reparado.
terça-feira, 9 de outubro de 2007
UIVO
Uivo porque a boca não cessa o dor que processa
Os orgãos em eterna carnal sinfonia que não cessa...
Uivo porque não presta calar enquanto houver
No mar um só pirata surfando pranchas de poliéster...
Uivo aos loucos que gritam poemas cheios de razão
Por detrás dos muros de cada louco coração....
Uivo porque nada faço nas noites de agonia cósmica
Já que tenho a alma cozida e purificada em força ósmica...
Uivo porque carruagens atravessam a paisagem dos nervos
E luto entre cortesãs do diabo que mordem-me os dedos...
Uivo porque na festa de pó de estrelas e rotas impensáveis
Surgem matemáticas plenas de caminhos certamente inviáveis...
Uivo porque sou completo na totalidade que o homem ganha
Quando à este mundo vem trazendo sua longínqua alma estranha...
Uivo porque sei dos cabelos e das rochas e das cebolas e dos ancinhos
E nada sei das chapinhas e dos promontórios e de chorar e de torvelinhos...
Uivo porque uivar é como nadar sem água e chorar sem nenhuma mágoa
E crer que não crer em nada será como crer que crer é não crer crendo em nada.
Os orgãos em eterna carnal sinfonia que não cessa...
Uivo porque não presta calar enquanto houver
No mar um só pirata surfando pranchas de poliéster...
Uivo aos loucos que gritam poemas cheios de razão
Por detrás dos muros de cada louco coração....
Uivo porque nada faço nas noites de agonia cósmica
Já que tenho a alma cozida e purificada em força ósmica...
Uivo porque carruagens atravessam a paisagem dos nervos
E luto entre cortesãs do diabo que mordem-me os dedos...
Uivo porque na festa de pó de estrelas e rotas impensáveis
Surgem matemáticas plenas de caminhos certamente inviáveis...
Uivo porque sou completo na totalidade que o homem ganha
Quando à este mundo vem trazendo sua longínqua alma estranha...
Uivo porque sei dos cabelos e das rochas e das cebolas e dos ancinhos
E nada sei das chapinhas e dos promontórios e de chorar e de torvelinhos...
Uivo porque uivar é como nadar sem água e chorar sem nenhuma mágoa
E crer que não crer em nada será como crer que crer é não crer crendo em nada.
NEGRO NAVIO
Meu coração é um outro navio negreiro
A traficar emoções vazias e sem sentido
Trocadas com aquela que primeiro
Encostar em mim seu umbigo...
Farto de diplomacia e quimeras e farsas
Crio enigmas que fecundem novas idéias
Enquanto abato umas tantas garças
Para comê-las sem prosopopéias....
Digo que meu coração é um odre de tantas viagens
E que nele levo vinho encetado em videira perfumada
E me embriago para tomar-me em nova coragem
Que ao fim me leva e de lá ao começo do nada...
Escravizo sensações como grafador de papiros
Aumentando o prazer de levar-me à tantos portos
Que desembarco como se fosse um conta-giros
De um cemitério marinho salgando seu mortos...
Digo que correntes tenho e que nenhuma delas é vã
Pois se me servem de companhia em noites de medo
Absolvem minh'alma humana que digo não é mais sã
Em viagem infinita até o Hades nesse navio negro.
A traficar emoções vazias e sem sentido
Trocadas com aquela que primeiro
Encostar em mim seu umbigo...
Farto de diplomacia e quimeras e farsas
Crio enigmas que fecundem novas idéias
Enquanto abato umas tantas garças
Para comê-las sem prosopopéias....
Digo que meu coração é um odre de tantas viagens
E que nele levo vinho encetado em videira perfumada
E me embriago para tomar-me em nova coragem
Que ao fim me leva e de lá ao começo do nada...
Escravizo sensações como grafador de papiros
Aumentando o prazer de levar-me à tantos portos
Que desembarco como se fosse um conta-giros
De um cemitério marinho salgando seu mortos...
Digo que correntes tenho e que nenhuma delas é vã
Pois se me servem de companhia em noites de medo
Absolvem minh'alma humana que digo não é mais sã
Em viagem infinita até o Hades nesse navio negro.
PULSO
O pulso de uma rã
Sã
Salta prá lá de vã
Medida temperatura
Pois conhece ela
O baixo e a altura
Do homem.
O pulso de um gato
Difere pela leveza
De cada ato
Que comete calmamente
Diferentemente
Do irmão felino da selva
Que muito pouco preza
Os salamaleques
Do homem.
O pulso do homem
Pulsa de acordo com o que come
E de acordo com os acordos
Que faz enquanto não dorme
Pulsa e usa a pulsação
Para controlar o coração
De quem já comeu
Ou comerá
Com ou sem fome.
Sã
Salta prá lá de vã
Medida temperatura
Pois conhece ela
O baixo e a altura
Do homem.
O pulso de um gato
Difere pela leveza
De cada ato
Que comete calmamente
Diferentemente
Do irmão felino da selva
Que muito pouco preza
Os salamaleques
Do homem.
O pulso do homem
Pulsa de acordo com o que come
E de acordo com os acordos
Que faz enquanto não dorme
Pulsa e usa a pulsação
Para controlar o coração
De quem já comeu
Ou comerá
Com ou sem fome.
DE JOELHOS
Se dobra se chega à cidade um homem que tudo domina
Se vale de tremedeira se chega ao porto a mulher que tudo ensina
Se finge reto se parado espera o devedor que lhe fugiu semana passada
Dobra que dobra se corre atrás do dito cujo que não vai lhe pagar nada
De mole em mole se ajeita o que pode quando vê a beleza que cruza a rua
Bambeia de tremer ossada inteira se a tal dona se lhe mostra toda nua
Valha-me Deus! e se ajoelha numa dobração de pedir que lhe tirem os pecados
Urge que não lhe falhe o joelho se o marido da tal fulana voltar antes do mercado
Tirita de dar dó se lhe falta coragem de encostar barriga na mesa e pedir um aumento
Chega a doer essas tal rótulas se o dono do seu emprego nem lhe ouvir o argumento
E juntinhos ficam quando o padre joga-lhe água e tenta mandá-lo lá para o céu
Mesmo sabendo que aqui na Terra não cumpriu à risca o seu papel.
Se vale de tremedeira se chega ao porto a mulher que tudo ensina
Se finge reto se parado espera o devedor que lhe fugiu semana passada
Dobra que dobra se corre atrás do dito cujo que não vai lhe pagar nada
De mole em mole se ajeita o que pode quando vê a beleza que cruza a rua
Bambeia de tremer ossada inteira se a tal dona se lhe mostra toda nua
Valha-me Deus! e se ajoelha numa dobração de pedir que lhe tirem os pecados
Urge que não lhe falhe o joelho se o marido da tal fulana voltar antes do mercado
Tirita de dar dó se lhe falta coragem de encostar barriga na mesa e pedir um aumento
Chega a doer essas tal rótulas se o dono do seu emprego nem lhe ouvir o argumento
E juntinhos ficam quando o padre joga-lhe água e tenta mandá-lo lá para o céu
Mesmo sabendo que aqui na Terra não cumpriu à risca o seu papel.
A CARNE
Você vai ao mercado e compra carne de gado
E te vendem o traseiro do gato e você arremata
Pensando que é capim doce lanhado
E chega em casa com aquilo debaixo do braço
E tua mulher pensa que é um pato
Se esgoelando porque vai para o prato
E só assim você percebe que só assim entende
Que o que tem debaixo do sovaco
É corpo de gente.
Mesmo assim joga na panela o bicho e sua moela
Que grita que tem muitas vidas e essa é uma delas
E tenta e pula e sacode e se tosta e se murcha
E se agarra e repara que a janela no beiral
Dá para a venda onde foi colocado no varal
E escapa e pula e mata e cata o dono da mercearia
E o leva lá pra beira da engordurada pia
E o enfia na panela e o deixa com as pernas de fora
E ele grita e implora e você simplesmente diz -Ora!-
E ele geme que não é gado e nem gato e nem capim
E você diz -Ora!- deixe homem de ser tão infeliz assim
Pois se comido vou ser um dia enquanto soa a melodia
Comido vai ser você agora - hoje chegou o seu dia!
E te vendem o traseiro do gato e você arremata
Pensando que é capim doce lanhado
E chega em casa com aquilo debaixo do braço
E tua mulher pensa que é um pato
Se esgoelando porque vai para o prato
E só assim você percebe que só assim entende
Que o que tem debaixo do sovaco
É corpo de gente.
Mesmo assim joga na panela o bicho e sua moela
Que grita que tem muitas vidas e essa é uma delas
E tenta e pula e sacode e se tosta e se murcha
E se agarra e repara que a janela no beiral
Dá para a venda onde foi colocado no varal
E escapa e pula e mata e cata o dono da mercearia
E o leva lá pra beira da engordurada pia
E o enfia na panela e o deixa com as pernas de fora
E ele grita e implora e você simplesmente diz -Ora!-
E ele geme que não é gado e nem gato e nem capim
E você diz -Ora!- deixe homem de ser tão infeliz assim
Pois se comido vou ser um dia enquanto soa a melodia
Comido vai ser você agora - hoje chegou o seu dia!
NOVO JUIZO
Eu preciso de um novo juizo
O meu está largo-velho-impreciso-
Quero um que não dê prejuizo
E que alcance os barbantes
Que apagam e acendem estrelas
Para que eu possa vê-las
Entrando e saindo
Do meu peito
Infindo...
Eu preciso de uma nova metáfora
Que tape a boca dos mamíferos
Que estão cegos e carnívoros
Para que eu possa alcançar
O imprevisto que vai acontecer
Na madrugada do novo alvorecer
Onde todos terão lâmpadas nos peitos
Indicando corações novos e perfeitos
Contrariando a decisão dos devotos do passado
Que querem corações imprestabilizados
Para novas aventuras que viveremos
Nas curvas do espaço retorcido
Quando tudo o que há
Ou houvera
Ter sido.
O meu está largo-velho-impreciso-
Quero um que não dê prejuizo
E que alcance os barbantes
Que apagam e acendem estrelas
Para que eu possa vê-las
Entrando e saindo
Do meu peito
Infindo...
Eu preciso de uma nova metáfora
Que tape a boca dos mamíferos
Que estão cegos e carnívoros
Para que eu possa alcançar
O imprevisto que vai acontecer
Na madrugada do novo alvorecer
Onde todos terão lâmpadas nos peitos
Indicando corações novos e perfeitos
Contrariando a decisão dos devotos do passado
Que querem corações imprestabilizados
Para novas aventuras que viveremos
Nas curvas do espaço retorcido
Quando tudo o que há
Ou houvera
Ter sido.
CANÁRIOS-DO-REINO
Ainda que o futuro nos diga que será um lugar inseguro
Pulo o muro e roubo maçãs no escuro e nem fico rubro
Se o cão imaturo morde o osso duro que lhe dou...
Ainda que as janelas nos digam que atrás delas há virgens
Olhares sonhando cantigas e trovas eu digo - uma ova! -
Que alguém derrubará o arame que cerca o olhar triste
Do poema perdido entre persianas e umbigos...
Ainda que mentes tentem provocar enchentes de dementes
Em nossos inconscientes latentes em êxtases polivalentes
Plurinascentes teremos que nos tornarmos expoentes
De nossas imberbes faces em narcísicas correntes...
Ainda que nos coloquem em dicionários e formulários
Servidos em escapulários de templos de confrários
Que conduzem proles de otários aos matadouros
De ovários incrustados em lampadários
Viveremos em campanários
Como canários
Do reino...
Pulo o muro e roubo maçãs no escuro e nem fico rubro
Se o cão imaturo morde o osso duro que lhe dou...
Ainda que as janelas nos digam que atrás delas há virgens
Olhares sonhando cantigas e trovas eu digo - uma ova! -
Que alguém derrubará o arame que cerca o olhar triste
Do poema perdido entre persianas e umbigos...
Ainda que mentes tentem provocar enchentes de dementes
Em nossos inconscientes latentes em êxtases polivalentes
Plurinascentes teremos que nos tornarmos expoentes
De nossas imberbes faces em narcísicas correntes...
Ainda que nos coloquem em dicionários e formulários
Servidos em escapulários de templos de confrários
Que conduzem proles de otários aos matadouros
De ovários incrustados em lampadários
Viveremos em campanários
Como canários
Do reino...
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
EM LUGAR DE
Não fique triste:
A paisagem que te roubaram
Era só um quadro
De um pintor falso...
No lugar dela
Existe uma aquarela
Para seus novos olhos
Pois
Atrás de toda tristeza
Há uma beleza
Esperando por você
Esperando ver
Você sorrir.
A tristeza vai, você fica;
Depois da dor,
muito mais bonita.
A paisagem que te roubaram
Era só um quadro
De um pintor falso...
No lugar dela
Existe uma aquarela
Para seus novos olhos
Pois
Atrás de toda tristeza
Há uma beleza
Esperando por você
Esperando ver
Você sorrir.
A tristeza vai, você fica;
Depois da dor,
muito mais bonita.
DE CLARO PENSAMENTO
Eu vi o sol nascer
Eu vi o sol morrer
Eu vi o sol desfalecer
Exércitos de pétalas
Antes do anoitecer...
Eu vi a lua sonhar
Eu vi a lua acordar
Eu vi a lua desmaiar
Comboios de faunos
Antes do clarear...
Vivo eu estava
Vivo como uma tábua
Solta no explendor do mar
A boiar pensamentos
Como bóias no vento
Antes do naufragar...
Não se mata o que se pensa.
O pensamento é um ato
Desfeito de fato
E argumento,
É só um invento
Esperando o acontecer
Dar-lhe forma e conteúdo
Como o som que se declara
No silêncio do mudo.
Eu vi o sol morrer
Eu vi o sol desfalecer
Exércitos de pétalas
Antes do anoitecer...
Eu vi a lua sonhar
Eu vi a lua acordar
Eu vi a lua desmaiar
Comboios de faunos
Antes do clarear...
Vivo eu estava
Vivo como uma tábua
Solta no explendor do mar
A boiar pensamentos
Como bóias no vento
Antes do naufragar...
Não se mata o que se pensa.
O pensamento é um ato
Desfeito de fato
E argumento,
É só um invento
Esperando o acontecer
Dar-lhe forma e conteúdo
Como o som que se declara
No silêncio do mudo.
SINCERIDADE
Sou sincero
Feito um melro
Na janela do mundo
Cantando
O que me dói fundo
Quando acerto
Quando erro.
Feito um melro
Na janela do mundo
Cantando
O que me dói fundo
Quando acerto
Quando erro.
LUVA
Luva é mão sem nada dentro
Um ato sem sentimento
Luva é uva
Sem sementes
Ao vento...
Luva é vulva sem coaxar
Girinos
Turva pele
De menino brilhoso
Ao luar...
Luva guarda o crime
A impressão no vime
Revela
Se a vida que havia nela
Fugiu sem se explicar...
Luva
É pele ao sangue
Peito ao coração
Luva
Da gasolina o tanque
Trama da solução.
Um ato sem sentimento
Luva é uva
Sem sementes
Ao vento...
Luva é vulva sem coaxar
Girinos
Turva pele
De menino brilhoso
Ao luar...
Luva guarda o crime
A impressão no vime
Revela
Se a vida que havia nela
Fugiu sem se explicar...
Luva
É pele ao sangue
Peito ao coração
Luva
Da gasolina o tanque
Trama da solução.
ROCHA
O coração da rocha gosta
Do teu abraço
Pequeno
Como um laço
De fita
De feno
Em volta
Da filha
Rochosa,
Pedra
Ao pé da rocha...
A rocha murmura grãos
E minérios
Impropérios não
Que rocha
É um império
De solidão
E sérios
Pensares
Em sensação...
Não pense que rocha
Dura
Milênios
Como a altura
Viva na imensidão...
Rocha é pra sempre agora
Como a velha hora
Que passa sempre no mesmo lugar
Não vê a hora que foi chegar
Para de novo
Na mesma hora
No mesmo lugar
Estar...
Rocha é água madura
Petrificada
O silêncio titânico
Dizendo nada
Enquanto a rocha
Em barro tântrico
Meditada.
Do teu abraço
Pequeno
Como um laço
De fita
De feno
Em volta
Da filha
Rochosa,
Pedra
Ao pé da rocha...
A rocha murmura grãos
E minérios
Impropérios não
Que rocha
É um império
De solidão
E sérios
Pensares
Em sensação...
Não pense que rocha
Dura
Milênios
Como a altura
Viva na imensidão...
Rocha é pra sempre agora
Como a velha hora
Que passa sempre no mesmo lugar
Não vê a hora que foi chegar
Para de novo
Na mesma hora
No mesmo lugar
Estar...
Rocha é água madura
Petrificada
O silêncio titânico
Dizendo nada
Enquanto a rocha
Em barro tântrico
Meditada.
JÓIA
Já fiz jóia
Jóia fiz já
De jade de Madagascar...
Jóia é de jibóia
E jibóia jóia
É jóia de lagoa ao luar...
Já fui jóia de amar
E o mar de jóias
Me levou
Ao fundo do mar...
Não boia a jóia
Nem pela clarabóia
A jóia joga
Luz de luscar...
Jóia é só jóia
Se olha-se jóia
Sem se perguntar
Se jóia é só jóia
De uso e brilhar.
Jóia fiz já
De jade de Madagascar...
Jóia é de jibóia
E jibóia jóia
É jóia de lagoa ao luar...
Já fui jóia de amar
E o mar de jóias
Me levou
Ao fundo do mar...
Não boia a jóia
Nem pela clarabóia
A jóia joga
Luz de luscar...
Jóia é só jóia
Se olha-se jóia
Sem se perguntar
Se jóia é só jóia
De uso e brilhar.
LEVE
Uma faca de paina
Um pão de vento
De água uma lâmina
De lã o cimento...
Leve
E traga uma sensação nova
Uma ova
Breve...
O edifício de nada
Pousado
Sobre a enxada
Calado
Vendo
O movimento
Do lenço
De seda
No pescoço
De Dalí
Sulcando o pincel
Sobre
A pele
Do faquir...
Leve
E traga
O dentro da fotografia
O titânio da poesia
Serve
A tábua
Leve
Da alegria.
Um pão de vento
De água uma lâmina
De lã o cimento...
Leve
E traga uma sensação nova
Uma ova
Breve...
O edifício de nada
Pousado
Sobre a enxada
Calado
Vendo
O movimento
Do lenço
De seda
No pescoço
De Dalí
Sulcando o pincel
Sobre
A pele
Do faquir...
Leve
E traga
O dentro da fotografia
O titânio da poesia
Serve
A tábua
Leve
Da alegria.
QUEM AMA NÃO CALA
Entre eu e o chão
Um chinelo de borracha
Sem alça
Entre eu o tão
Admirado mundo ovo
Uma nave intergaláctica
Entre a uva e a boca
A leve touca
Inseticídica
A proteger a videira
A bananeira
A muambeira
A touceira
Que guarda o cupim
Cansado do jardim
Cheio de pedras.
Entre eu o você
O ar breve
A nos entontecer
Com perfumes
De ciúmes
Queixumes
De delírios
O rio de frio
Que gela
A goela cheia de palavras
Entre folhas
De dicionários
Dormindo na sala.
Vem
Entre
Sente
Quem ama não cala.
Um chinelo de borracha
Sem alça
Entre eu o tão
Admirado mundo ovo
Uma nave intergaláctica
Entre a uva e a boca
A leve touca
Inseticídica
A proteger a videira
A bananeira
A muambeira
A touceira
Que guarda o cupim
Cansado do jardim
Cheio de pedras.
Entre eu o você
O ar breve
A nos entontecer
Com perfumes
De ciúmes
Queixumes
De delírios
O rio de frio
Que gela
A goela cheia de palavras
Entre folhas
De dicionários
Dormindo na sala.
Vem
Entre
Sente
Quem ama não cala.
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