Meu coração é um outro navio negreiro
A traficar emoções vazias e sem sentido
Trocadas com aquela que primeiro
Encostar em mim seu umbigo...
Farto de diplomacia e quimeras e farsas
Crio enigmas que fecundem novas idéias
Enquanto abato umas tantas garças
Para comê-las sem prosopopéias....
Digo que meu coração é um odre de tantas viagens
E que nele levo vinho encetado em videira perfumada
E me embriago para tomar-me em nova coragem
Que ao fim me leva e de lá ao começo do nada...
Escravizo sensações como grafador de papiros
Aumentando o prazer de levar-me à tantos portos
Que desembarco como se fosse um conta-giros
De um cemitério marinho salgando seu mortos...
Digo que correntes tenho e que nenhuma delas é vã
Pois se me servem de companhia em noites de medo
Absolvem minh'alma humana que digo não é mais sã
Em viagem infinita até o Hades nesse navio negro.
terça-feira, 9 de outubro de 2007
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