terça-feira, 9 de outubro de 2007

SOLIDÃO

Solidão é abrir a janela e pegar rabeira na estrela bela
E sair voando até onde e quando o sono deixá-lo dormir...

Acordar e sair e não ter acordado e nem ter saído
E ficar como que partido movendo-se sem ter ido...

Beber e não matar a sede de nenhum de seus súditos
E sentir-se inteligente sem saber quem é o estúpido...

Solidão é rodar o sarilho do poço que guarda milhões de diamantes
E não alcançar um único brilho que devora o escuro do instante...

Criar e recriar e depois de observar o que recriado da cria se criou
Ver-se posto diante do futuro e não alcançá-lo por ter as mãos do seu avô...

Solidão é erguer um brinde e rir com um a um dos seus inúmeros convidados
E ao abrir os olhos é reparar que se está só por não ter sido por nenhum reparado.

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