terça-feira, 9 de outubro de 2007

UIVO

Uivo porque a boca não cessa o dor que processa
Os orgãos em eterna carnal sinfonia que não cessa...
Uivo porque não presta calar enquanto houver
No mar um só pirata surfando pranchas de poliéster...
Uivo aos loucos que gritam poemas cheios de razão
Por detrás dos muros de cada louco coração....
Uivo porque nada faço nas noites de agonia cósmica
Já que tenho a alma cozida e purificada em força ósmica...
Uivo porque carruagens atravessam a paisagem dos nervos
E luto entre cortesãs do diabo que mordem-me os dedos...
Uivo porque na festa de pó de estrelas e rotas impensáveis
Surgem matemáticas plenas de caminhos certamente inviáveis...
Uivo porque sou completo na totalidade que o homem ganha
Quando à este mundo vem trazendo sua longínqua alma estranha...
Uivo porque sei dos cabelos e das rochas e das cebolas e dos ancinhos
E nada sei das chapinhas e dos promontórios e de chorar e de torvelinhos...
Uivo porque uivar é como nadar sem água e chorar sem nenhuma mágoa
E crer que não crer em nada será como crer que crer é não crer crendo em nada.

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